O Brasil na Criação de Israel: Contribuições e Influência Histórica
Por Marcos Lopes
A criação do Estado de Israel, em 1948, representou um marco de enorme relevância política e humanitária no cenário internacional. Diversas nações contribuíram para a consolidação desse projeto, e, embora o Brasil não tenha ocupado posição central no processo, seu papel diplomático foi de grande importância, sobretudo nas instâncias que antecederam a proclamação da independência israelense.
Entre as duas guerras mundiais, a chamada “questão judaica” tornou-se um dos temas mais sensíveis da diplomacia global. Com o avanço do antissemitismo e da perseguição sistemática aos judeus na Europa, o movimento sionista intensificou seus esforços por apoio internacional na busca por um lar nacional na Palestina. Foi nesse contexto que o Brasil começou a exercer certa influência diplomática sobre o tema.
Durante a década de 1920, o governo brasileiro, sob a presidência de Artur Bernardes, demonstrou simpatia pela causa sionista. Bernardes, juntamente com o então chanceler Afrânio de Melo Franco, manifestou apoio à ideia de criação de um território destinado ao povo judeu. Esse gesto, ainda que simbólico, refletia uma disposição favorável do Brasil às aspirações do movimento sionista.
Contudo, a posição brasileira sobre a questão palestina não era consensual. O país também mantinha laços comerciais e culturais com comunidades árabes estabelecidas em seu território, o que gerava um equilíbrio delicado entre simpatias políticas e interesses econômicos. O governo precisou, portanto, lidar com pressões e expectativas distintas ao longo das discussões sobre o futuro da Palestina.
Em 1938, o Brasil participou da Conferência de Evian, na França, que tinha como objetivo discutir a crise dos refugiados judeus diante do avanço nazista. Embora o país não tenha se destacado por medidas concretas de acolhimento, sua presença na conferência evidenciou uma preocupação diplomática com a situação humanitária e contribuiu para ampliar o debate internacional sobre a necessidade de soluções efetivas para os judeus perseguidos.
Após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, a causa judaica ganhou novo impulso moral e político. Como membro fundador das Nações Unidas, o Brasil assumiu papel de relevância nas deliberações que levariam à criação do Estado de Israel.
Em 1947, a Assembleia Geral da ONU votou o Plano de Partilha da Palestina, que previa a formação de dois Estados — um judeu e outro árabe — sob supervisão internacional. Naquele momento histórico, o Brasil era representado por Oswaldo Aranha, então presidente da Assembleia Geral. Sua postura firme e equilibrada foi decisiva para o avanço das negociações e para a aprovação do plano.
condução diplomática de Oswaldo Aranha foi amplamente reconhecida. Seu empenho em conduzir os debates e garantir a votação do plano em clima de diálogo e respeito às diferentes nações acabou por ser lembrado como uma das mais notáveis contribuições do Brasil à política internacional do século XX.
Em 14 de maio de 1948, quando David Ben-Gurion proclamou oficialmente a independência do Estado de Israel, o Brasil figurou entre os primeiros países a reconhecer a nova nação, reafirmando seu compromisso com os princípios humanitários e com a autodeterminação dos povos.
Desde então, as relações diplomáticas entre Brasil e Israel têm se desenvolvido de maneira constante. A cooperação entre os dois países se estende a áreas como comércio, ciência, tecnologia, agricultura, segurança e cultura, consolidando um relacionamento baseado em respeito e benefícios mútuos.
Embora a atuação brasileira não tenha sido tão decisiva quanto a de outras potências da época, como os Estados Unidos e a União Soviética, o país teve participação relevante na aprovação da partilha e na legitimação internacional de Israel. O voto brasileiro e o papel de liderança exercido por Oswaldo Aranha foram fatores que ajudaram a tornar realidade o antigo sonho sionista.
Hoje, mais de sete décadas após o surgimento do Estado de Israel, a participação histórica do Brasil permanece um ponto de referência nas relações bilaterais. Esse legado reforça não apenas os laços entre as duas nações, mas também o compromisso brasileiro com o diálogo, a diplomacia e a busca por soluções pacíficas em contextos internacionais complexos.
Fontes: Wikipédia – A Enciclopédia Livre

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